Uma notícia que me chamou à atenção há uns tempos, mais precisamente no passado dia 25, foi a da libertação de Brigitte Mohnhaupt. Outrora chamada "a mais malvada mulher da Alemanha", esta assassina pertenceu ao grupo terrorista de extrema-esquerda Baader-Meinhof. Só este nome ainda hoje é capaz de gelar a espinha a muitos alemães ao evocar o Terror que nos anos 70 este grupo inflingiu na República Federal. Ele houve de tudo: sequestros, assassínios, assaltos,bombas,etc. Tudo com o venerável objectivo de "revelar a verdadeira face" da "tolerância repressiva" das democracias ocidentais, derrotar o capitalismo e mais uns tantos disparates arrogantes que têm inspirado alguns terroristas ao longo do seculo XX . Cumpriu 25 anos das cinco penas de prisão perpétua a que foi condenada e agora saiu em liberdade. Numa época como a actual em que o terrorismo é tão falado, vale a pena reflectir sobre os Baader-Meinhof.
Qualquer tipo de terrorismo surge num ambiente social e histórico que a ele seja propício, e este não foi excepção. Emergiu do meio da ressaca das movimentos estudantis dos anos 60, num país em que sucessivos governos do pós-guerra tinham ajudado a construir uma amnésia colectiva do que realmente se tinha passado na 2ª Guerra Mundial. O descontentamento com a República Federal da Alemanha (RFA) era grande e alguns chegavam mesmo a afirmar que não havia diferenças entre esta e a Alemanha Nazi. E juraram destruí-la. Nem que para isso fosse necessário usar os mesmo métodos que os nazis usaram para chegar ao poder! A juntar à loucura ignorante dos radicais deve-se recordar a simpatia que os mesmos colheram junto de muitos intelectuais, artistas e académicos da época.
O pico da violência dos Baader-Meinhof deu-se no ano de 1977, com os assassínios do Procurador-Geral da RFA e do presidente do Dresdner Bank e culminando no Outono, o chamado "Outono Alemão" (Deutscher Herbst). A 13 de Outubro um avião da Lufthansa foi pirateado e os terroristas exigiam a libertação dos muitos membros dos Baader-Meinhof presos. A polícia Federal Alemã não perdeu tempo. A 18 de Outubro o avião foi libertado, sendo a notícia transmitida imediatamente pela rádio para todo o mundo. As prisões não foram excepção e nessa noite Andreas Baader, Gudrun Esslin e Jan-Carl Raspe suicidaram-se na prisão. Ulrike Meinhof suicidara-se antes, a Maio de 1976. No dia seguinte seria descoberto o corpo sem vida de Hans Martin Schleyer, presidente da Federação dos Industriais Alemães, em cujo rapto e assassínio Brigitte Mohnhaupt participou.
A Alemanha não foi a única a sofrer do terrorismo endógeno e anti-sistema na década de 70. A loucura sanguinária foi igual na Itália, onde o ex-Primeiro Ministro Aldo Moro foi raptado e assassinado. Um terrorismo diferente, de índole mais regionalista, mas igualmente brutal e estúpido, ceifou um número recorde de vidas nesta época na Irlanda do Norte e no País Basco. Esta foi também a década dos atentados de Munique, perpetrados por terroristas palestinianos em 1972.
A década de 70 mostrou como podem ser frágeis as democracias liberais aos seus opositores, chegando muitos a afirmar que as sociedades ocidentais se tinham tornado ingovernáveis. Mas também mostrou a sua resiliência. O voto da maioria dos eleitores voltou-se definitivamente para o centro do espectro político, com uma larga rejeição do terrorismo e dos seus objectivos políticos, algo que os terroristas da época acharam que não iria acontecer...
Decidi postar duas fotografias de Brigitte Mohnhaupt, uma tirada enquanto estudante e a outra já na prisão... Para reflectir...
Qualquer tipo de terrorismo surge num ambiente social e histórico que a ele seja propício, e este não foi excepção. Emergiu do meio da ressaca das movimentos estudantis dos anos 60, num país em que sucessivos governos do pós-guerra tinham ajudado a construir uma amnésia colectiva do que realmente se tinha passado na 2ª Guerra Mundial. O descontentamento com a República Federal da Alemanha (RFA) era grande e alguns chegavam mesmo a afirmar que não havia diferenças entre esta e a Alemanha Nazi. E juraram destruí-la. Nem que para isso fosse necessário usar os mesmo métodos que os nazis usaram para chegar ao poder! A juntar à loucura ignorante dos radicais deve-se recordar a simpatia que os mesmos colheram junto de muitos intelectuais, artistas e académicos da época.
O pico da violência dos Baader-Meinhof deu-se no ano de 1977, com os assassínios do Procurador-Geral da RFA e do presidente do Dresdner Bank e culminando no Outono, o chamado "Outono Alemão" (Deutscher Herbst). A 13 de Outubro um avião da Lufthansa foi pirateado e os terroristas exigiam a libertação dos muitos membros dos Baader-Meinhof presos. A polícia Federal Alemã não perdeu tempo. A 18 de Outubro o avião foi libertado, sendo a notícia transmitida imediatamente pela rádio para todo o mundo. As prisões não foram excepção e nessa noite Andreas Baader, Gudrun Esslin e Jan-Carl Raspe suicidaram-se na prisão. Ulrike Meinhof suicidara-se antes, a Maio de 1976. No dia seguinte seria descoberto o corpo sem vida de Hans Martin Schleyer, presidente da Federação dos Industriais Alemães, em cujo rapto e assassínio Brigitte Mohnhaupt participou.
A Alemanha não foi a única a sofrer do terrorismo endógeno e anti-sistema na década de 70. A loucura sanguinária foi igual na Itália, onde o ex-Primeiro Ministro Aldo Moro foi raptado e assassinado. Um terrorismo diferente, de índole mais regionalista, mas igualmente brutal e estúpido, ceifou um número recorde de vidas nesta época na Irlanda do Norte e no País Basco. Esta foi também a década dos atentados de Munique, perpetrados por terroristas palestinianos em 1972.
A década de 70 mostrou como podem ser frágeis as democracias liberais aos seus opositores, chegando muitos a afirmar que as sociedades ocidentais se tinham tornado ingovernáveis. Mas também mostrou a sua resiliência. O voto da maioria dos eleitores voltou-se definitivamente para o centro do espectro político, com uma larga rejeição do terrorismo e dos seus objectivos políticos, algo que os terroristas da época acharam que não iria acontecer...
Decidi postar duas fotografias de Brigitte Mohnhaupt, uma tirada enquanto estudante e a outra já na prisão... Para reflectir...

